segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Na Califórnia é diferente, irmão...



As últimas semanas foram de encerramento da minha vida michigander, a chamada “mudança ao contrário”, preparando o retorno ao Brasil. Não que entre uma providência e outra não rolaram uns passeios e até uma última viagem para Chicago, para evitar o banzo do último fim de semana em Birmingham.


Também teve um jogo de basquete dos Pistons, finalmente um esporte americano do qual entendo e sei quem está ganhando. Não foi assim um jogão, mas valeu de novo ver a festa que o pessoal daqui faz – comida, dancinha, sorteio de brindes, e um pouco de basquete no meio de tudo isso.

Fizemos também uma última tentativa de recomendar Detroit como destino turístico, mas, sinceramente, não dá. Fomos ao Renaissance Center, quartel general da GM, construído para dar um gás na revitalização da D-City, mas foi uma decepção total. Tem uma torre, que poderia ser explorada, como as de NY e Chicago, abarrotadas de turistas, mas, que surpresa!, fomos num sábado e estava fechada, assim como as lojinhas. Em vez de turistas, encontramos um monte de sem-teto, buscando abrigo do frio de rachar do Meio-Oeste. Sorry, D.

Rodando uns quilômetros à frente, porém, passando por um batalhão de drogados e prédios em ruínas, fomos parar em Grosse Pointe, a Beverly Hills da região, com mansões espetaculares, ruas limpíssimas e pessoas com cara de ricas. Nem que eu viva duzentos anos vou entender o que se passa por aqui. Depois a gente no Brasil que tem abismo social. Tá bom.

De qualquer forma, encerramos nossa vida cotidiana em terras norte-americanas, agora, só férias. Ainda teve tempo de a Helena participar do Halloween, aquela festa esquisita no qual eles misturam doces com fantasmas, no meio de um frio absurdo, e se despedir dos muitos amigos que fez na escola – e lembrar que ela veio quase amarrada pra cá...

Escrevo agora de Monterey, Califórnia, segunda cidade do nosso roteiro de férias – saímos hoje cedo de San Francisco, onde ficamos míseros quatro dias (merecia quatro meses, para começar), linda, linda, linda. Onde ainda reencontrei uma amiga dos tempos de Metodista, que fez a vida aqui, a Regina, com seu marido alemão e seus filhos poliglotas – todos vivendo na vizinha Berkeley, cidade universitária com aquela energia que só muita moçada ávida por conhecimento traz.




Atravessamos a Golden Gate duas vezes, andamos naquele bondinho três – Roberto e Helena pendurados do lado de fora pelas ladeiras da cidade que tem a luz mais linda do mundo, com um povo sensacional, desencanado, sorridente e anos-luz à frente do resto da nação, em todos os sentidos. 


Fomos ao bairro Mission, reduto dos latinos (mexicanos na maioria), onde vimos a maior coleção de arte urbana do planeta, em becos e ruas escondidas. Experimentamos mais dois museus de primeira, o SFMoma (um pouco decepcionante) e o de Young, dentro do Golden Gate Park, um pedacinho do paraíso no meio da cidade, que também abriga, entre outras atrações, a Academia de Ciências da Califórnia, que, terra de nerds, só podia ser fantástica. Além de aquário, planetário e uma reprodução fidelíssima da floresta amazônica, tinha uma parte reservada ao terremoto, com explicações de como eles acontecem, o que se sente e o que se deve fazer para reduzir o risco de morrer quando  a terra chacoalhar de novo – que vai acontecer, cedo ou tarde. Eu, com meu medo patológico de desastres naturais (tsunami, furacão, tornado – e vim parar logo aqui) acabei dentro de uma sala que simulou os dois maiores – de 1989, até que leve, e o de 1906, que botou a cidade no chão. Achei bem legal, no fim das contas, porque é falando dos medos que a gente acaba com eles, e o terremoto é quase que um amigo aqui. Maluco.



Fomos ainda à Chinatown, onde comprei um  lenço supostamente 100% seda. Hã. Por seis dólares. E andamos, andamos, andamos, de boca aberta com a arquitetura única, das casas vitorianas misturadas aos prédios para lá de modernos. Deu vontade de morar lá, se não fosse o medo do terremoto – ele não é meu amigo.

Saímos de San Francisco hoje cedo, já planejando a volta – quem sabe como uma escala para o Havaí, que é pertinho (pertinho de americano, claro), mas já animados com a viagem por uma das estradas mais bonitas do mundo, a CA 1. Para ter uma ideia, sempre que lançam um carro esportivo, o comercial é gravado nesta estrada, uma espécie de Rio-Santos sem buracos, com paisagens de tirar o fôlego – praias longas, pequenas, com rochas, falésias, penhascos, tem para todos os gostos.



Chegamos em Monterey, que para mim é a cidade do seriado do Zorro, outro lugar muito bacana, cujo aquário (uma das minhas novas obsessões) é, dizem, dos mais lindos do mundo. Não sei o aquário, mas tomei uma cerveja na Cannery Row (uma fábrica de sardinhas em lata que virou centro cultural e de entretenimento), que certamente já valeu a vinda. Ah, e aqui também é a terra do John Steinbeck, autor de A Pérola, livro que todo mundo leu (ou deveria) em algum momento da vida escolar. E, claro, tem busto dele, livraria, museu... Adoro quando uma terra reverencia seus escritores.

Amanhã, além do aquário, vamos para Carmel, Big Sur  e Santa Barbara, outro roteiro cinematográfico, rumo a Los Angeles. Depois de dois dias lá (o suficiente para ver o letreiro de Hollywood, a calçada da fama e a Rodeo Drive, onde a Julia Roberts humilhou as vendedoras em Pretty Woman), voltamos para San Francisco e terminamos nossa road trip no golden state, como o povo daqui diz, uns com orgulho, outros com inveja. De lá, Flórida, já que tenho filha pre-teen, e vamos fazer aquele programa classe média de Disney, Universal etc. Vou tentar achar alguma aventura por lá, já que não eu não escolheria esse roteiro não fosse por ela. Eu bem que preferia fazer a Rota 66 ou a região do blues. Isso, sim, é amor de mãe...